Morreram para nada!?
Os autocaravanistas não vivem em bolhas esterilizadas. Vivem em sociedade e são parte integrante da mesma, pelo que o que afecta o vizinho afecta também os que o rodeiam.
As minhas opções de voto não me afectam só a mim. Elas, as minhas opções de voto, intervêm na sociedade e condicionam-na e afectam os meus concidadãos.
Neste momento, pelas sucessivas opções maioritárias dos meus concidadãos, estou a ser lesado nos meus direitos e, o mais grave é que os direitos civilizacionais estão a retroceder, nomeadamente pela aprovação, hoje, em Conselho de Ministros, do aumento da jornada de trabalho diário.
Milhares de pessoas lutaram nas ruas e muitas dezenas morreram e foram, inocentemente, enforcadas para que hoje, no chamado mundo civilizado, o direito à chamada jornada de trabalho de 8 horas fosse uma realidade.
Ignorar estas lutas e estes sacrifícios para que as gerações futuras não fossem meras escravas, onde se continuaria a trabalhar 16 e mais horas é “escarrar” nessas mulheres e nesses homens que até deram a vida por uma vida melhor para as gerações futuras.
Os que não lutarem por todos os meios de que disponham para manter a jornada de trabalho diária em 8 horas estão a condenar os seus descendentes a ter uma vida pior.
Retirei da “wikipédia – A enciclopédia livre” os textos que transcrevo porque é necessário passar a palavra para que ninguém venha dizer que não sabia.
Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América.
Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.
A Revolta de Haymarket aconteceu no dia 4 de Maio em 1886 na cidade de Chicago, Illinois, e é considerada uma das origens das comemorações internacionais do "1º de Maio", o dia do trabalhador. Durante uma manifestação pacífica a favor do regime de 8 horas de trabalho, uma bomba estourou junto ao local onde policiais estavam posicionados, matando um imediatamente e ferindo outros 7 que morreram mais tarde. A polícia imediatamente abriu fogo contra os manifestantes, ferindo dezenas e matando onze. Os oito organizadores da manifestação, militantes anarquistas, foram presos e incriminados pelo acontecimento, mesmo na ausência de evidências que os conectassem com o lançamento da bomba. Uma grande campanha foi organizada para salvar os mártires de Chicago. Finalmente, quatro deles foram executados, um cometeu suicídio antes do enforcamento, e os três remanescentes receberam sentenças de prisão que foram revogadas em 1893, quando o governador concluiu que todos os oito acusados eram inocentes.
Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.
Apesar de até hoje os Estados Unidos da América se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.
Não conseguimos aprender com a história?
E em Portugal? Alguém se recorda quando foi na realidade implementado o horário de 8 horas diárias? Alguém se recorda do que diziam os seus pais e avós que só chegavam a casa quando o patrão queria?
Muitos (ignorantes?) virão argumentar que os tempos são outros, que são medidas temporárias e sei lá que mais. Os mesmos que foram fazendo opções de voto sucessivas que elegeram governos que nos conduziram a este estado de coisas. Infelizmente, porém, as opções que tomaram não os “lixaram” só a eles.
Basta! Chega! Estou farto de pagar pelos erros de uns e a ganância de outros.