domingo, 15 de fevereiro de 2009

O País é a nossa casa

AO CORRER DA PENA…

(a propósito do que se disse no Fórum do CampingCar Portugal )


1

Quando as ideias precisam que se utilize como argumento (mesmo que sub-reptício) referências de carácter pessoal do(s) nosso(s) interlocutor(es) estamos perante três situações concretas:

- Quem as utiliza não tem capacidade de argumentação;

- Quem as utiliza não tem ideias consistentes sobre um determinado assunto;

- Quem as utiliza quer denegrir a imagem do(s) interlocutor(es) como forma de valorizar uma ideia que não tem substância.

Muitas vezes, também, utiliza-se a própria imagem para dar peso à exposição de uma ideia. Estamos perante um caso de “Magister dixit”.

É o ser “velho” (?) que me permite compreender os desejos de afirmação dos “miúdos”, “ler” para além das afirmações que precipitadamente emitem, saber “ouvir” e, sobretudo, esforçar-me para ter uma atitude pedagógica.

Não esqueço, podem ter a certeza, que as ideias devem ter como destinatários as pessoas. E são as pessoas que são importantes. São as pessoas que fazem análises e interpretações com legitimidade para serem feitas na medida em que qualquer ideia, após divulgada, adquire vida própria e pode influenciar de formas diferentes, diferentes pessoas. O autor deixa de ter o controlo sobre a ideia, sobre o pensamento que pretende transmitir, na medida em que ele é interpretado à luz de diferentes vivências, de diferentes conjunturas, de diferentes realidades político-sociais e, também, de diferentes graus individuais de conhecimento e de cultura.

Um autor não é prisioneiro das interpretações e análises que queiram fazer da sua ideia. Também é desgastante, por parte do autor, estar permanentemente a corrigir as interpretações ou esclarecer as motivações da sua ideia. Fazê-lo seria estultícia.


2

Na nossa cultura está interiorizada a denúncia como um anátema, embora lentamente e em democracia se esteja a verificar uma mudança.

O conceito de denúncia, conotado com “os bufos da ex-Pide/DGS”, já não tem razão de se manter nos dias de hoje. Nem sequer a denúncia cívica pode ser entendida como se tratando de “queixinhas”.

A denúncia deve ser entendida como “bufaria” ou como “intervenção cívica na defesa de valores”?

No caso concreto de campismo fora dos lugares a isso destinado (campismo selvagem) com as consequências daí resultantes, inclusive a eventual publicação de leis mais redutoras da liberdade dos autocaravanistas, deve ser objecto de denúncia.

Porquê?

Porque os praticantes desse tipo de campismo, não se tenha dúvidas, estão a prejudicar (o meu, o teu, o nosso) património entendido no aspecto mais lato do termo. Alguém deixaria de protestar, denunciar quem fosse colocar lixo à porta da nossa casa? Alguém deixaria de protestar, de denunciar quem permitisse que o cão fizesse as necessidades fisiológicas à nossa porta e as não apanhasse? Alguém deixaria de protestar, de denunciar quem tivesse uma aparelhagem sonora a emitir tão alto que poluísse os nossos ouvidos na nossa casa?

O País é a nossa casa!

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