sábado, 14 de março de 2009

Um esclarecimento (des)necessário


Desde 22 de Dezembro de 2008 que o Papa Léguas assumiu a filosofia constante do texto então divulgado que transcreve para que continue a constar:

Qualquer expressão do pensamento, como um quadro, um filme, um poema, um texto em prosa, enfim, o quer que seja, pode ser objecto de análises e interpretações eventualmente diferentes das do autor.

São análises e interpretações com legitimidade para serem feitas na medida em que qualquer obra, após divulgada, adquire vida própria e pode influenciar de formas diferentes, diferentes pessoas. O autor deixa de ter o controlo sobre o seu próprio trabalho, sobre o pensamento que pretende transmitir, na medida em que ele é interpretado à luz de diferentes vivências, de diferentes conjunturas, de diferentes realidades político-sociais e, também, de diferentes graus individuais de conhecimento e de cultura.

Contudo, o autor não é prisioneiro das interpretações e análises que queiram fazer da sua obra. Também não é viável, por parte do autor, estar permanentemente a corrigir as interpretações ou esclarecer as motivações da sua criação. Fazê-lo, para além de estultícia, traria ao analista uma notoriedade superior ao conteúdo do pensamento expresso. Por outro lado, se as considerações forem feitas de má fé, não obstante enquadradas numa terminologia erudita, o descrédito atingirá mais tarde ou mais cedo e inexoravelmente quem as faz.

O que o autor quis dizer está dito, está na expressão do seu pensamento, está no seu texto, está na sua forma de estar na vida.

E mais não diz.

Por isso, este é um esclarecimento (des)necessário.

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