sábado, 30 de maio de 2009

E o pano, no teatro da vida, desceu.


Mas eu não existo senão com outro; só, eu não sou nada.”
Karl Jaspers

No artigo “Para os que falam de manipulação…” publicado ontem neste mesmo “blogue” terminávamos assim:

“Ao invés de, do alto de uma tribuna virtual, apontar-se acusadoramente o dedo, sugere o Papa Léguas, muito respeitosamente, que metam o dedo… na vossa consciência.”

Surpreendentemente a nossa respeitosa sugestão foi ouvida e, não é que meteram, não só o dedo, mas toda mão na consciência!? Mas seria mesmo uma questão de consciência?

Às seis horas da manhã do dia 29 de Maio de 2009 os tribunos proclamaram que desistiam de lutar por aquilo em diziam acreditar e não sem que antes, num derradeiro acto de desespero, de incompreensível despeito, aviltassem publicamente o bom nome de um conjunto de pessoas que recusam, mesmo entre elas, o “caminho único” para o autocaravanismo.

A liberdade de expressão impõe o assumir de responsabilidades de forma identificada e a indissociação destes dois conceitos, liberdade e responsabilidade, é um dos direitos e obrigações conquistados com o 25 de Abril e pelos quais devemos permanentemente lutar.

É na defesa e na concretização dessa liberdade que o Blogue do Papa Léguas dá expressão a todos os “blogues” de que tem conhecimento, mesmo os que despudoradamente ofendem e aviltam o seu bom-nome.

É na defesa e na concretização dessa liberdade que o Blogue do Papa Léguas não censura os comentários de quem quer que seja.

Este não é o procedimento dos que agora “fugiram” e que pode ser facilmente comprovado.

Mais do que as palavras são, pois, os actos que verdadeiramente julgam os cidadãos.

A intransigência e o monolitismo dos tribunos conduziram, embora não pareça, ao seu isolamento que, para o quebrar, os obrigou a emitir constantemente juízos de valor, denegrindo a imagem pública dos opositores estratégicos, promovendo o escândalo e atraindo, consequentemente, mais “ouvintes”.

Contudo, manter este tipo de política obriga a um contínuo e progressivo aumento de agressividade, a eleger um alvo a abater e a desenvolver uma teoria da conspiração que congregue e motive seguidores. Enfim, técnicas bem conhecidas.

Manter permanentemente esta técnica exige um esforço cada vez maior, nomeadamente de imaginação, pelo que, como no teatro, impunha-se ensaiar um final glorioso.



Nós fomos os vossos pastores…

Nós avisámo-los ao longo dos tempos…

Nós do alto da nossa tribuna apontámos caminhos…

Nós apoiámos as iniciativas válidas…

Nós denunciámos os perversos, os malignos…

E vocês não nos ouviram?! Não vieram em êxtase apoiar-nos?!

Então fiquem para aí! Nós retiramo-nos!!!

Mas para que o mundo não esqueça, apontamos o dedo aos infiéis.



E o pano, no teatro da vida, desceu. Agora, é necessário aguardar pelos aplausos.

É necessário um compasso de espera para que os “apoiantes” se sintam órfãos desprotegidos e venham reclamar o sebastiânico regresso dos mestres.

Se resultar o pano volta a subir… e o espectáculo continua.

Em apoteose!

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