sábado, 3 de outubro de 2009

Protesto!!!



MARIA LAMAS APENAS FEMINISTA

Ao passear (30 de Setembro de 2009) por Cabanas de Tavira (Concelho de Tavira) deparei-me com uma rua com o nome de “Maria Lamas” e, sob o nome, a palavra Feminista.

Não vou fazer juízos de valor sobre os autarcas que deram àquela rua o nome de “Maria Lamas – Feminista”

Poderiam ter optado por “Maria Lamas – Escritora” ou “Maria Lamas – Combatente da Liberdade” ou “Maria Lamas – Antifascista” ou, até, “Maria LAMAS - Defensora dos direitos da Mulher”; mas, não!, optaram, antes, por uma terminologia que ainda hoje tem (junto do cidadão comum) conotações depreciativas. Talvez por ignorância.

Uma simples pesquisa na Internet permite aceder ao muito que foi esta Mulher. Mas, teria que ser na autarquia ainda presidida por um homem que em tempos ficou conhecido por ter afirmado que beijar uma mulher fumadora era como lamber um cinzeiro, que Maria Lamas fica, numa placa, reduzida a, simplesmente, Feminista.



Mini Biografia

Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas (Torres Novas, 6 de Outubro de 1893 - Lisboa, 6 de Dezembro de 1983) foi uma escritora, tradutora, jornalista e portuguesa.

Maria Lamas iniciou os seus estudos na sua terra natal, onde viveu até aos dez anos de idade. Viveu também em Luanda até 1913. Durante a sua vida passou também por Paris, onde conheceu Marguerite Yourcenar.

Em 1921 casou em segundas núpcias com o jornalista Alfredo da Cunha Lamas de quem teve uma filha chamada Maria Cândida. Do primeiro casamento (1911 – 1919) com Ribeiro da Fonseca teve duas filhas.

Nas suas obras utilizou diversos pseudónimos como, Maria Fonseca, Serrana d’Ayre e Rosa Silvestre.

São especialmente dignas de nota as suas obras na literatura infantil.

Como jornalista trabalhou em diversos jornais e revistas como “A Joaninha”, “A Voz”, “Correio da Manhã”, suplemento do jornal o Século intitulado “Modas e Bordados” e na revista “Mulheres”, da qual foi directora.

Intervenção Política

Em 1946 participou no congresso que daria origem à Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM).
Em 1947 foi presidente da direcção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.
Em 1949 esteve prisioneira no Forte de Caxias, tendo sido posteriormente presa por mais duas vezes.
Em 1958 participou em Copenhaga no Congresso Internacional de Mulheres.
Entre 1962 e 1969, esteve exilada em Paris.
Em 1975 participou em Berlim no VII Congresso da FDIM.
Fez parte da direcção do MUD onde combateu o regime salazarista.
Participou diversas vezes nos Congressos Mundiais da Paz.
Filiação no Partido comunista português após o 25 de Abril.

 
Obras

Humildes (poesia) (1923).
Maria Cotovia (livro infantil) (1929).
As Aventuras de Cinco Irmãozinhos (livro infantil) (1931)
A Montanha Maravilhosa (livro infantil) (1933).
A Estrela do Norte (livro infantil) (1934).
Brincos de Cereja (livro infantil) (1935).
Para Além do Amor (romance) (1935)
A Ilha Verde (livro infantil) (1938)
O Vale dos Encantos (livro infantil) (1942)
O Caminho Luminoso (1942)
As Mulheres do Meu País (1948).
A Mulher no Mundo (1952).
O Mundo dos Deuses e dos Heróis, Mitologia Geral (1961).

 
Traduções

Memórias de Adriano (de Marguerite Yourcenar)
Obras de Frank Baum, Frances Burnett, Condessa de Ségur, Charles Dickens, etc.

 
Reconhecimentos

Oficial da Ordem de Santiago da Espada.
Oficial da Ordem da Liberdade.
Presidente honorária do Movimento Democrático das Mulheres (MDM).

 
NOTAS

Em Torres Novas foi dado o nome da escritora à Escola Industrial de Torres Novas, na comemoração dos 50 anos da sua existência, passando a designar-se por Escola Secundária Maria Lamas.

 


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