quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Carta aberta ao companheiro Errante



Companheiro autocaravanista Errante,

Não direi que foi surpresa a proposta que o Errante tenciona apresentar aos aderentes do CAB, participantes do IV Encontro dessa mesma organização, porquanto já dela me tinha sido dado conhecimento. A surpresa foi, sim, a divulgação pública do seu conteúdo no Blogue TRAVEL VAN que pode ser lido AQUI.

Não faria, também, qualquer comentário público à proposta se a mesma me não referisse especificamente. Permita-me que agradeça a confiança que deposita nas minhas capacidades ao propor-me como mandatário do CAB e, consequentemente, o pressuposto que a concepção de autocaravanismo que defendo é a que, na sua opinião, melhor defende os interesses dos nossos companheiros que entendem o autocaravanismo como uma modalidade de turismo itinerante.

Permita-me, ainda, que esclareça que defendo e defenderei, sempre, o direito inalienável de qualquer cidadão se pronunciar livremente (sem prejuízo da responsabilidade inerente a essa liberdade) sobre qualquer temática que entenda, mesmo que eu não concorde com a opinião emitida.

Por outro lado, independentemente das ideias da proposta ora divulgada e sobre as quais não deixará o Errante de estar presente no IV Encontro para as colocar na reunião de aderentes do CAB e as defender, que fique muito claro que, para mim, as relações pessoais serão sempre entendidas separada e diferentemente das questões ideológicas e programáticas autocaravanistas.

Sobre o ponto 1 da sua proposta discordo frontalmente que, numa reunião oficial do CAB, se aprovem estratégias de interferência concreta noutra organização, nomeadamente para conquistar os respectivos órgãos directivos. Caricaturando, a situação seria, na minha opinião (obviamente!) idêntica a que se um clube de futebol aprovasse numa sua assembleia geral uma linha de acção para eleger uma Direcção de um outro clube. Uma politica dessa natureza iria promover uma “guerra” entre instituições e entre autocaravanistas que em nada contribuiria para a credibilidade do CAB e, muito principalmente, para a unidade dos autocaravanistas em redor de objectivos comuns que impeçam o desenvolvimento do autocaravanismo enquanto modalidade de turismo itinerante.

Não me repugna, contudo, que nas reuniões do CAB (ou de qualquer outra organização) se analise e se proponha formas de actuação que pudessem vir a ser consideradas (na opinião do CAB) úteis por todas as organizações autocaravanistas e que, até, pudessem vir a ser o “motor” de reuniões informais entre as organizações e líderes de opinião com o objectivo de concertar acções comuns.

Assim, pelo que atrás digo, sem prejuízo de, repito, defender o direito que tem de apresentar e defender pessoalmente na reunião de Aderentes do CAB, integrada no IV Encontro, a proposta que divulga, não posso, em consciência, vir a assumir outra postura que não seja a de votar contra.

Admito, porém, que outra possa vir a ser a posição da maioria dos aderentes do CAB presentes na reunião, pelo que, se a proposta vier a ser democraticamente aprovada, coerentemente com o que exponho não aceitarei fazer parte de nenhum grupo de trabalho, inclusive por não ser sócio do Clube Português de Autocaravanas pelas razões que já tornei públicas e que podem ser lidas AQUI.

Aceite, companheiro, a expressão da minha mais elevada simpatia que não é prejudicada pela afirmação das convicções que certamente continuará a defender no decorrer do IV Encontro do CAB.

Papa Léguas

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