quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Definir e Assumir Responsabilidades na AG do CPA



(Cópia de texto colocado no Fórum do CPA em 28 de Janeiro de 2010.)

Definir e Assumir Responsabilidades na AG do CPA


Programa de Acção

Esta é a última vez que me dirijo aos leitores deste Fórum e neste tópico (Definir e Assumir Responsabilidades na AG do CPA) antes da Assembleia-geral de 30 de Janeiro próximo.

Anteriormente à criação deste tópico as referências à Assembleia-geral eram superficiais e resumiam-se essencialmente a apelos para que surgisse uma Lista de Candidatos aos Corpos Gerentes. O aparecimento de uma proposta global e concreta contribuiu para que alguns associados se sentissem motivados para a questão. Sentirem-se motivados para a substância do assunto que, eventualmente pela primeira vez, queria fazer depender a eleição de uma Lista Candidata, dos compromissos que publicamente assumiam.

Uma Candidatura com um Programa de Acção – Esta ideia produziu um impacto que fez tremer alguns “velhos do Restelo”.


Delegações Distritais

O conhecimento que se tem das presenças dos associados em anteriores Assembleias-gerais do CPA é elucidativo da falta de associativismo agora existente. Na realidade e segundo o relato de alguns sócios dos primórdios da existência do CPA, a velhinha sede da Rua dos Lagares ficava repleta sempre que os sócios eram convidados/convocados para reuniões. Existia, segundo essas testemunhas, um forte empenho, clubismo e amizade. Uma realidade diferente devido ao menor número de sócios que possibilitava que quase todos se conhecessem.

Recordo a tristeza com que alguns associados mais novos afirmaram não ter sentido a desejável inclusão no “grupo” quando pela primeira vez compareceram num evento do CPA e se sentiram, digo eu, marginalizados. Outras mágoas proliferam a vários níveis, não sendo nem o local, nem o momento, para os escalpelizar.

As alterações verificadas, relativamente aos primórdios do CPA, têm a ver com a expansão numérica do Clube. Os sócios estão dispersos. Já se não conhecem ente si e, até, muitos, nem conhecem os seus dirigentes. Voltar ao espírito inicial do CPA, à época em que a velhinha sede da Rua dos Lagares ficava repleta, é possível através da criação de Delegações, onde os sócios se conhecerão melhor uns aos outros, empenhando-se, mobilizando-se, fazendo renascer o clubismo e a amizade de então.

Criar Delegações Distritais como parte integrante do CPA – Esta concepção criou o terror em alguns adeptos da centralização do poder e não admitem que se delegue poderes para que os sócios mais afastados da sede possam ser melhores servidos.


Voto por correspondência

A eleição de uma Direcção, uma Coordenação, uma equipa, num universo de umas 200 pessoas que se conhecem, não justifica que o processo eleitoral obedeça a regras muito bem definidas, e o bom senso e uma boa concepção do que é a democracia, são suficientes.

Quando, porém, estamos a falar de um potencial de 1700 eleitores e, simultaneamente, candidatos, não podemos estar convencidos que se conheçam entre si ao ponto de dispensar regras claras e democráticas que definam a forma como se podem candidatar e votar. Para que os Candidatos, enquanto equipa, se dêem a conhecer, a divulgação de um Programa do que se propõem a fazer é imprescindível. Mas, também é imprescindível que todos os sócios tenham as mesmas oportunidades de votar.

De novo os sócios dos primórdios do CPA recordarão que nessa época a dispersão geográfica dos sócios era diminuta o que permitia que todos se pudessem deslocar à Assembleia de Voto. Nos tempos actuais existem sócios dispersos por todo o território nacional que não estão disponíveis para se deslocar a uma Mesa de Voto, inclusive pelos custos que consideram não justificar a deslocação. Ou por quaisquer outros motivos. Uma solução, actualmente impraticável, seria colocar Mesas de Voto em todos os Concelhos ou Distritos. A solução óbvia é criar condições para o exercício do voto por correspondência.

Voto por correspondência para a participação de todos os sócios – Uma medida que pôs em pânico alguns dos que pensam e querem controlar as Assembleias-gerais Eleitorais.


Regulamentação eleitoral

Reportando-me de novo às memórias dos associados verificou-se, pelo menos na última Assembleia Geral, que a não existência de Listas Candidatas até ao momento do acto eleitoral, não criou condições mínimas de dignidade para um acto do que se quer o mais nobre da vida de uma Associação como o CPA.

Não é digno para o CPA que seja eleita uma Direcção que não quis ser Direcção e só o foi porque… não havia mais ninguém. Não há dignidade num acto eleitoral destes. E, tenham calma, porque não estou a falar de pessoas. Estou a falar do sistema.

É absolutamente necessário haver regras claras e democráticas que dignifiquem o acto eleitoral e permitam que sejam desenvolvidos esforços para que pelo menos uma Lista seja Candidata. Esforços que se desenvolvam a montante do acto eleitoral.

Prazos e regras claras pré-definidas – Esta alteração do sistema eleitoral terá assustado os que fazem da indefinição uma forma de estar na vida e disso procuram tirar proveito.


Referendo

CPA surgiu em Janeiro de 1990 por iniciativa de um reduzido grupo de amantes do campismo a quem é justo agradecer. O CPA levou a efeito 8 acampamentos até ao ano de 2005 e em 2003 a vertente campista do CPA culminou com a responsabilidade de organizar o 23º Acampamento Nacional da FCMP (Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal).

Os autocaravanistas, entendidos como turistas itinerantes, não estão contra o direito de quem o desejar utilizar Parques de Campismo e querem que esse direito se mantenha. Não estou, coerentemente, a defender a exclusão de ninguém. O que quero é que o meu Clube se oponha, isso sim, à minha exclusão e que defenda o que é também um direito, o meu direito de não ser obrigado a pernoitar num Parque de Campismo.

Representantes da FCMP têm vindo a afirmar e a querer que os autocaravanistas sejam proibidos de pernoitar fora de Parques de Campismo. O CPA, por omissão, não se opõe. Os autocaravanistas, entendidos como turistas itinerantes, estão a ser acossados, nomeadamente pela FCMP e, os que são sócios do CPA, não vêem que o seu Clube os esteja a defender.

O aumento de sócios do CPA foi naturalmente criando contradições e dificuldades que impedem um assumir de posições claras pelo que se justifica, presentemente, uma consulta referendária a todos os associados para que seja definida uma politica preferencial, para que se não continue a excluir o autocaravanismo, entendido como uma modalidade de turismo itinerante.

Os autocaravanistas, que são campistas, têm o dever ético de defender o direito de todos os Autocaravanistas não serem obrigados a pernoitar em Parques de Campismo, pois que o direito de pernoitar em Parques de Campismo, esse, já está assegurado.

Referendo para a não exclusão do Autocaravanismo, entendido como turismo itinerante – Um referendo, clarificador, que não é desejado pelos que não querem que o CPA impeça a exclusão dos autocaravanistas de não serem obrigados a dormir em Parques de Campismo.


Suspender o acto eleitoral

As medidas preconizadas que devem e podem ser progressivamente implementadas passam pela eleição de uma Direcção, num acto eleitoral digno, com a apresentação de um Programa de Acção e com a instituição do voto por correspondência, para permitir a todos os sócios votar.

A construção de uma casa inicia-se pelas fundações para se obter as melhores condições de habitabilidade para os seus ocupantes actuais e futuros. A construção de um projecto inicia-se pela definição dos seus objectivos para permitir as melhores vivências aos presentes e futuros destinatários. Os construtores desse projecto (a Direcção) têm que ter uma opção clara e pública e ser, assim, apoiados (eleitos) por aqueles a quem o projecto se destina (os sócios).

Não vejo, salvo melhor e fundamentada opinião, outra forma de promover democraticamente as mudanças que se justificam, senão, tendo como principio da mudança, a suspensão do processo eleitoral a que se refere o ponto 4 da Ordem de Trabalhos da Assembleia Geral para a mesma Assembleia Geral continuar em 17 de Abril de 2010.

Suspender o acto eleitoral – A suspensão do acto eleitoral para dignificação do mesmo e para permitir a participação de todos os sócios, é contestada, pelos que não querem que todos os sócios possam poder votar e apenas com uma argumentação pseudo legalista.


Uma candidatura responsável

Consultadas as estatísticas do Fórum do CPA constatei que desde que me registei já tive umas 16 horas de protagonismo e que os meus escritos foram visualizados mais de 2700 vezes, o que talvez me possa permitir afirmar que acederam diariamente a este tópico mais de 100 pessoas. Como não estamos em teleconferência e o meu rosto não é visível sou obrigado a referir que estas palavras são ditas com um sorriso irónico.

O meu passado associativo de mais de 40 anos, que não vou aqui descriminar, permitiu-me já exercer funções das mais diversas nas mais diversas organizações. É talvez por isso que, não sendo mais inteligente que o comum dos mortais e não tendo formação superior, tenho o conhecimento, também de experiência feito, que me permite “ver” para além do imediato. Permite-me “ver”, no caso do CPA, com as convicções e com as dúvidas de quem tem plena consciência de que não há verdades nem certezas absolutas.

Ao longo de 23 dias e desde o início, fui assediado por quem só tinha uma única preocupação: Será ele (eu) candidato numa Lista para os Corpos Gerentes do CPA? Esta estupidificante pergunta, face ao teor das propostas em apreço e perante uma pessoa que se não conhece, só podem ter uma interpretação racional. O medo irracional de que essa pessoa (eu) possa vir a ser Candidata e conseguir, se eleita, levar à prática com êxito as mudanças que se propõe.

Quais são as razões apresentadas por quem repudia propostas que só beneficiam o futuro do CPA? Para além das muitas incoerências, só próprias de quem não tem um projecto para o Clube, para além de uma argumentação recheada de impropérios e falsa, o que ou quem está por detrás desta animosidade? Que movimentos e interesses se escondem para manter a situação (status quo) em que o CPA está, impedindo as mudanças que a modernidade dos tempos justificam?

Assumir uma Candidatura com um Programa de Acção – Mudar o CPA, tornando-o moderno, eficiente, interventivo, aberto ao futuro passa pelo compromisso público de uma candidatura com um Programa de Acção, eleita por todos os sócios através, também, de voto secreto e directo e num processo eleitoral com regras claras e pré definidas.


A suspensão do acto eleitoral permitirá a sustentação democrática da mudança


Na Assembleia-geral de 30 de Janeiro os sócios, como é normal em democracia, terão a palavra final, se a Mesa da Assembleia-geral os não impedir alegando motivos anti-estatutários que não existem.

Se os sócios na Assembleia-geral se pronunciarem contra a suspensão da reunião e do acto eleitoral o autor do Papa Léguas submeter-se-á à deliberação soberana, o que não pode ser considerado uma concordância com a decisão.

E a vida continuará. Porque, para mim, há mais vida para além do CPA e o autocaravanismo, entendido como uma modalidade de turismo itinerante, não se esgota neste Clube.


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