quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Áreas de Serviço e a Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade


Em muitas ocasiões têm sido passadas nos Fóruns mensagens que dão uma interpretação negativa à Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade.


Neste endereço, no Fórum do CampingCar Portugal, tomei a iniciativa colocar 4 textos que abordam e analisam os pontos 7 e 8 da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade e procuram desfazer as dúvidas e clarificar as interpretações erradas, nomeadamente para que no futuro, sempre que haja um ressurgimento dessas mesmas dúvidas e interpretações erradas seja suficiente indicar o endereço onde pode ser lida a reposição da verdade.

Transcrevo, para os que não quiserem aceder ao Fórum do CampingCar Portugal, os textos pela ordem em que foram inseridos

Texto 1- Publicado pela primeira vez no Fórum do CampingCar Portugal em 19 de Setembro de 2011


Saúde para todos!

A análise de questões que respeitem ao autocaravanismo não deve ser impedida pela origem das fontes que as motivam, desde que tratadas com base nas situações concretas, e não, em juízos de valor, sem sustentação credível e, muitas vezes, com intenções persecutórias.

A questão das “Estações de serviço nos campings” que está a ser equacionado neste tópico é, em si mesmo, há que admiti-lo, porque é evidente, o reconhecimento da importância que é atribuída aos Parques de Campismo.

Defender a independência do autocaravanismo face ao movimento campista é em si mesmo uma contradição quando se quer impor que os Parques de Campismo, locais de campismo por excelência, sejam também um suporte desse mesmo autocaravanismo. E, nesta perspectiva, não é coerente contestar o direito de os Parques de Campismo privados terem as suas próprias regras, regras que têm o direito de implementar desde que, digo eu, não sejam ilegais.

Não vou aqui exprimir a minha opinião pessoal sobre a política da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal no que se refere ao acesso aos Parques de Campismo da Federação e que deve ser questionada nos órgãos próprios da mesma e pelas respectivas associadas; nem sequer vou exigir que uma entidade privada funcione conforme os meus interesses; não vou, igualmente, tecer quaisquer considerações sobre uma eventual conversa telefónica, de carácter pessoal, de uma funcionária da Federação, que pretendeu apenas ser agradável para resolver de forma expedita o problema que lhe estava a ser colocado.

Prefiro, antes, chamar a atenção para o ponto 7 da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade, mesmo para os que não a subscreveram ainda, que exorta os Parques de Campismo Municipais (porque estes são construídos com dinheiros públicos) a permitir a utilização das Estações de Áreas de Serviço para Autocaravanas, se as tiverem, e a preços compatíveis com o serviço prestado.

Prefiro, antes, chamar a atenção para o ponto 8 da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade, mesmo para os que não a subscreveram ainda, que exorta à implementação de Áreas de Serviço, pelo menos uma por Concelho, preferencialmente de iniciativa autárquica, com o objectivo de contribuir para um maior desenvolvimento económico das populações locais, uma ainda maior protecção ambiental e um melhor ordenamento do trânsito automóvel.

Muitas são as entidades e os autocaravanistas individualmente considerados, que usam da respectiva influência, para que um pouco por todo o País sejam implementadas Áreas de Serviço para Autocaravanas. Nesta nova (ou antiga?) dinamização, permitam-me que o refira, porque faz parte da história, foi o Clube Português de Autocaravanas pioneiro num passado não muito distante e, num passado recente, foi este mesmo Clube que, de moto próprio, acabou com a chamada certificação das Áreas de Serviço. Numa outra oportunidade e noutro tópico, talvez seja desejável explicar a importância das razões que justificam a extinção destas certificações à luz de uma desejável política de unidade do Movimento Autocaravanista de Portugal.

É uma maior protecção do ambiente que a existência de Estações de Serviço para Autocaravanas permite (e que é referida na Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade) que foi claramente assumida pela QUERCUS num protocolo público assinado com o CPA e concretizado através da rubrica “Minuto Verde”, do Programa “Bom Dia Portugal” da RTP1 no passado dia 28 de Agosto.

É a maior ordenação do trânsito automóvel que se promove através da existência de Áreas de Serviço porque, mesmo não sendo obrigatório, os autocaravanistas preferem estacionar nas Áreas de Serviço quando existem (é a experiência que no-lo diz), ao invés de noutros locais.

Tudo isto para concluir sobre o enquadramento, que me parece consensual, das Áreas de Serviço, que deve ser complementado por uma política de divulgação das Áreas que existem nos Parques de Campismo e que seja igual à que o CampingCar Portugal promove, isto é, só é feita a divulgação das Áreas de Serviço de Parques de Campismo que permitam o acesso às mesmas sem exigirem uma permanência no Parque.

Em conclusão, esta é a substância do assunto e mais do que se trazer à coacção questões colaterais, importa conjugarmos esforços para que os pontos 7 e 8 da Declaração de Princípios sejam implementados e que, também, as Estações de Serviço existentes nos Parques de Campismo Municipais possam ser utilizadas como um serviço autónomo.

Todos os esforços neste sentido serão um contributo profundo para desenvolver e promover o autocaravanismo e a unidade em torno de questões concretas.


Texto 2 - Publicado pela primeira vez no Fórum do CampingCar Portugal em 19 de Setembro de 2011



Saúde para todos!

Não estou, nem vou estar disponível para responder a afirmações que questionam quais as reais intenções de quem quer que seja e que concluem, sem evocar quaisquer pressupostos, nem provam, nem comprovam, o quer que seja.

Também não me parece, numa perspectiva de análise das ideias, muito dialogante qualquer texto em que mais de dois terços do mesmo ponha em causa, não as ideias, mas as intenções de quem quer que seja.

Não se quer aprofundar as questões que ao autocaravanismo respeitam quando se dá respostas que não abordam a essência de questões que foram referidas, como, por exemplo:

- A questão das “Estações de serviço nos campings” (…) é, (…) o reconhecimento da importância que é atribuída aos Parques de Campismo.

- Defender a independência do autocaravanismo face ao movimento campista é em si mesmo uma contradição quando se quer impor que os Parques de Campismo, locais de campismo por excelência, sejam também um suporte desse mesmo autocaravanismo

Por outro lado, afirmações de cátedra (por exemplo: é que de transito eu percebo muito...), levam-me a reflectir que os tempos do “Magister dixit” já passaram e há que ter consciência disso.

Dúvidas sobre matéria escrita é aceitável tê-las, mas, nessa situação, há que, quando se está de boa fé e se perfilha o diálogo com vista ao entendimento, solicitar os esclarecimentos que nos ajudem a ajuizar.

Permitam-me que repita o que escrevi:

“A análise de questões que respeitem ao autocaravanismo não deve ser impedida pela origem das fontes que as motivam, desde que tratadas com base nas situações concretas, e não, em juízos de valor, sem sustentação credível e, muitas vezes, com intenções persecutórias.”

Compreendo, também, que nem sempre um texto seja de compreensão fácil, já porque se encontra escrito de forma confusa, já porque há leitores que tenham mais dificuldade em interpretá-lo, até porque, sem querer ser pejorativo para quem quer que seja, a iliteracia é muito elevada em Portugal.

Contudo, lembro que a Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade foi subscrita, pelo menos, pelas seguintes entidades:

- Amigos do Centro Forumeiros
- Associação de Comércio Automóvel (ACAP)
- Automóvel Clube de Portugal (ACP)
- Círculo de Autocaravanistas da Blogo-esfera (CAB)
- Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos
- Clube Flaviense de Autocaravanismo
- Clube Português de Autocaravanas (CPA)
- Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP)
- Movimento Independente pelo Autocaravanismo (MIDAP)
- Portal CampingCar Portugal
- Touring Clube Autocaravanista

Não creio (e aqui trata-se de uma questão de fé) que as entidades acima tenham uma interpretação negativa do texto da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade que pode ser lido no Portal do CampingCar Portugal (que apoia e divulga este documento) neste endereço:


E para que nada fique por dizer, é meu entendimento que em Democracia o facto de uma maioria apoiar uma determinada ideia não significa que ela seja correcta, significa, tão-somente, que a maioria quer seguir aquele caminho.

É que as maiorias nem sempre têm razão, mas, neste caso, até têm!

NOTAS:

• A abordagem de diversos aspectos das Áreas de Serviço e a necessidade da implementação das mesmas ser feita de forma coordenada e sustentada deveria ser objecto de análise, o que só será possível discutindo ideias e não pessoas.

• Procurei, tanto quanto possível, não me afastar do assunto que me preocupa: Áreas de Serviço.

• Esta é uma opinião feita sob o pseudónimo de Papa Léguas e que só a mim responsabiliza.


Texto 3 - Publicado pela primeira vez no Fórum do CampingCar Portugal em 20 de Setembro de 2011



Saúde para todos!

Não está nos meus propósitos desviar as atenções do que é importante em detrimento do que é secundário, nomeadamente através de considerações menores.

No caso vertente o importante é, no que respeita a Áreas de Serviço para Autocaravanas, difundir a mensagem constante dos pontos 7 e 8 da Declaração de princípios da Plataforma de Unidade.

Nestes dois pontos são apontados os objectivos políticos que uma apreciável quantidade de instituições, representando uma esmagadora maioria de autocaravanistas, subscreveu.

(Seria estultícia sonhar, sequer, que todas estas entidades, representando milhares de autocaravanistas, o tivessem feito de ânimo leve, sem qualquer sentido de responsabilidade).

Tenhamos, contudo, consciência de que estes dois pontos não podem ser, para uma correcta interpretação dos mesmos, desligados do todo que é o texto da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade.

O ponto 7 (Considerar que os Parques de Campismo Municipais devem permitir a utilização das Estações de Serviço para Autocaravanas neles existentes, no âmbito de uma politica de protecção do ambiente e, consequentemente, a preços compatíveis com o serviço prestado (abastecimento de água potável e despejo de águas negras e cinzentas)) tem a finalidade de considerar que os Parques de Campismo, construídos com dinheiros públicos, têm a obrigação de apoiar os autocaravanistas e, simultaneamente, defender o ambiente.

Já o ponto 8 (Considerar que a implementação de Áreas de Serviço para Autocaravanas, em pelo menos uma por Concelho, preferencialmente de iniciativa autárquica, contribui, não só para o desenvolvimento económico das populações, como para a protecção ambiental e o melhor ordenamento do trânsito automóvel) aponta para o óptimo em construção de Áreas de Serviço e justifica a existência de cada área como:

Uma contribuição para o desenvolvimento económico das populações - partindo do pressuposto que os autocaravanistas adquirem nos locais onde estacionam bens e serviços;

Uma contribuição para a protecção ambiental - partindo da ideia que existindo local para o despejo das águas negras e cinzentas os autocaravanistas os utilizem;

Uma contribuição para o melhor ordenamento do trânsito automóvel – partindo do principio que os autocaravanistas prefiram e optem livremente por estacionar nas Áreas de Serviço libertando, assim, outros espaços, o que pode contribuir para uma eventualmente melhor circulação do trânsito.

Os pontos 7 e 8 congregam ideias a serem desenvolvidas no âmbito da implementação das Áreas de Serviço para Autocaravanas, o que é importante, mas não definem uma estratégia para que a implementação das mesmas seja feita de forma coordenada e sustentada, o que não é menos importante.

É dessa estratégia para a implementação de Áreas de Serviço de forma coordenada e sustentada que me proponho falar muito brevemente.

Esta é uma opinião feita sob o pseudónimo de Papa Léguas e que só a mim responsabiliza.


Texto 4 - Publicado pela primeira vez no Fórum do CampingCar Portugal em 20 de Setembro de 2011



Saúde para todos!

Com mais esta mensagem cesso a minha intervenção sobre Áreas de Serviço para Autocaravanas na perspectiva da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade.

Estou convicto de qualquer leitor atento e minimamente esforçado não deixou de compreender toda a filosofia que está subjacente aos pontos 7 e 8 da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade e afastado, definitivamente, qualquer hipótese de o texto ter como objectivo acantonar as autocaravanas em Áreas de Serviço, impedindo-as de estar estacionadas em qualquer outro local que a lei não impeça.

Esta ideia peregrina de interpretar estes pontos, nomeadamente o ponto 8, com a malévola intenção de impedir a livre circulação e estacionamento das autocaravanas, pode não ser mais do que um pretexto que justifique a não subscrição da Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade.

No que às intenções do autor desta mensagem respeita, já sobre o chamado “acantonamento das autocaravanas”, já sobre o impedimento do estacionamento das autocaravanas, onde outros veículos de iguais dimensões estacionam, a minha posição está muito claramente expressa desde Junho de 2009 (repito, desde Junho de 2009) e pode ser acedida, obviamente confirmada, pelos que mais se interessam por estas “coisas”, pelos que procuram a verdade, nos seguintes endereços:

Discutir as leis é um acto de cidadania

Considerações e Propostas ao Projecto de Lei 778/x

Impedir ou não impedir…eis a questão

E agora? Que futuro?

Continuo, no essencial, a ter o mesmo entendimento que tinha há 2 anos, quando escrevi os textos acima. Só por má fé se virá dizer que subscrevo uma Declaração de Princípios em que está subentendida uma discriminação negativa do autocaravanismo.

Termino, e especialmente para os mais jovens (em idade e no autocaravanismo), transcrevo uma “Carta a um jovem filósofo” da autoria de Agostinho da Silva

Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura, já o pensamento lhe pertence.”


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